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ABUSO DE ANABOLIZANTES
DRAUZIO VARELLA
Para melhorar o desempenho ou a aparência física, muitos atletas e frequentadores de academias correm vários e graves riscos
Durante a segunda guerra mundial, os nazistas administravam hormônios derivados da testoste-rona para aumentar a agressividade dos soldados alemães. Esses hormônios anabolizantes - chamados de esteróides androgênicos - foram estudados na década de 1950 como agentes promotores de crescimento, mas suas propriedades virilizantes tornaram o uso clínico inviável.
Não é de hoje que alguns atletas usam anabolizantes com o objetivo de melhorar a performance, mas foi nos últimos dez anos que o abuso dos esteróides se disseminou entre frequentadores de academias sem nenhum interesse em participar de competições esportivas, unicamente para melhorar a aparência física.
Quando andrógenos são ingeridos ou injetados na corrente sanguínea, a testos-terona ao passar pelo fígado é metabolízada e tornada inerte. Para impedir essa inativação, surgiram adesivos transdér-micos, cápsulas de liberação prolongada e preparações contendo modificações estruturais na fórmula da testosterona.
Doses fisiológicas de testosterona e seus derivados, como aquelas empregadas em homens com hipogonadismo (insuficiência de produção de testosterona), não exercem efeitos indesejáveis em homens normais. Por isso, quem abusa de anabolizantes é obrigado a aumentar e escalar as doses para obter o efeito desejado - exatamente como o fazem os usuários de outras drogas.
Doses mais altas (suprafisiológicas) de testosterona estimulam a síntese de proteínas e aumentam a massa muscular porque o hormônio se liga a receptores específicos localizados nas fibras musculares. Dosagens mais elevadas provocam ainda euforia e resistência à fadiga, facilitando a realização de exercícios mais vigorosos, que colaboram decisivamente para hipertrofiar a musculatura.
Alguns estudos mostram que o exercício físico é muito importante para o ganho de massa muscular associado ao uso de anabolizantes. Esses, quando administrados a sedentários, provocam aumentos bem mais discretos.
O abuso de anaboiizantes provoca distúrbios comportamentais, endócrinos, cardiovasculares, hepáticos e músculo-esqueléticos.
São frequentes as queixas de agressividade exacerbada, irritabilidade, agitação motora e aumento ou diminuição da libido. Síndromes psiquiátricas, como transtorno bipolar (anteriormente conhecida com o nome de psicose maníaco-de-pressiva), síndrome do pânico e quadros depressivos, podem surgir na vigência do uso de doses elevadas.
É comum aparecerem lesões dermatológicas típicas de acne - principalmente na face -, atrofia dos testículos, calvície, impotência sexual, diminuição do número e da motilidade dos espemiatozóides, redução do volume de esperma ejaculado, gineco-mastia (crescimento das mamas em homens), masculinização das mulheres e alterações na tolerância à glicose que podem desencadear quadros de diabetes em indivíduos predispostos.
CARDIOVASCULARES: retenção de líquido que favorece o aparecimento de edemas. Aumento da pressão arterial. Alteração no metabolismo dos lípides que podem levar a aumento do risco de doenças cardiovasculares: aumento do colesterol total, diminuição de HDL ("bom colesterol"), aumento de LDL ("mau colesterol") e aumento de triglicérides.
HEPÁTICOS: elevação das enzimas do fígado (transaminases, fosfatase alcalina, gama GT, etc). Quadros de icterícia e, mais raramente, câncer do fígado.
MÚSCULo-ESQUELÊTIGOS: lesões osteomusculares por solicitação exagerada ("overuse"). Fechamento precoce das epífises, com consequente interrupção do crescimento dos ossos.
Não existe tratamento específico para o uso abusivo de anabolizantes. Como essas drogas são geralmente comercializadas por vias ilegais c administradas em dosagens e concentrações variáveis por pessoas leigas, não há estudos clínicos para nos ajudar a definir esquemas seguros de administração, se é que eles existem.
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